João da Costa acredita que já vence no primeiro turno.

O candidato do PT, João da Costa, foi o último a ser entrevistado na série com os postulantes à cadeira de prefeito do Recife. Apoiado pelo atual prefeito, João Paulo, pelo governador Eduardo Campos e pelo presidente Lula, João da Costa não pára de crescer nas pesquisas. Na última avaliação do Datafolha seria eleito logo no primeiro turno.

A entrevista acontece, inicialmente, num clima tenso. Desde que espalhou-se entre as igrejas evangélicas um panfleto em que ele diz que é protegido pelos orixás, que o candidato tem sido alvo de questionamentos. Natural, portanto, que ele encare o bate-papo numa rádio de programação evangélica como um risco. A abordagem sutil dos assessores comigo era sempre de tentar pescar qual seria o direcionamento que eu daria à entrevista. Preocupação boba. Quem me acompanha sabe que eu abordo o que é notícia e o que o ouvinte quer saber. Depois de 15 minutos, o candidato relaxou e ficou mais à vontade.

Enfatizou a proximidade com o prefeito e mentor de sua candidatura, João Paulo, e fez questão de pontuar a ligação total com Lula e Eduardo Campos. É nesse tripé que João da Costa se apóia pra ganhar a eleição logo. Mais ainda depois que a justiça eleitoral cassou o registro da candidatura dele sob a alegação de uso da máquina da prefeitura na campanha. "Nós estamos tranquilos. A campanha continua firme e nada muda. Pelo contrário, isso me deu ânimo pra andar mais e buscar mais votos. A eleição não se decide no tapetão. Quem vai dizer se sirvo ou não pra ser prefeito do Recife é o povo. A decisão desse juiz, pra mim não vale de nada. Entramos com recurso e o TRE vai se posicionar de modo diferente", acredita.

Sobre os projetos pra cidade, o discurso do candidato não tem muitas novidades. Ancorado na enorme aceitação popular de João Paulo, basta prometer continuar dando sequêrncia ao que vem sendo feito. Como as pesquisas tem sido favoráveis, essa linha não vai mudar. No entanto, reconheceu os transtornos causados pela obra da avenida Conde da Boa Vista. "Reconheço que faltam ajustes. E faltou também a prefeitura explicar melhor o projeto à população. A comunicação foi deficiente. Mas nós vamos terminar o projeto, que não se resume ao corredor da Conde da Boa Vista e, aos poucos, o sistema vai funcionar a contento. Ninguém consegue agradar a todo mundo", lamentou.  

Durante o intervalo, recebe uma ligação do prefeito do Recife. Dá pra perceber que seus passos são acompanhados de perto e João Paulo, monitora a campanha em seus mínimos detalhes. O candidato é uma aposta pessoal do prefeito que, pra vê-lo na disputa, teve que brigar com metade do PT. As mágoas ficaram, apesar do discurso da unidade. Vão aflorar com mais força, a depender do resultado do dia cinco de outubro. Ganhando, traz de volta a tese do andor: um governante bem avaliado é capaz de eleger um poste. João da Costa está demonstrando que o poste está quase lá. 

Cadoca tenta novamente derrotar o PT.

 

Hoje foi a vez do candidato do PSC, Carlos Eduardo Cadoca, conversar comigo sobre as suas idéias para o Recife. Já é a segunda vez consecutiva que o candidato tenta tirar a prefeitura das mãos do PT. Na eleição passada, o adversário era o atual prefeito João Paulo que tentava se reeleger. Cadoca perdeu no segundo turno.

Agora, a disputa mais acirrada é pra tentar reverter a tendência de queda nas pesquisas eleitorais. O candidato, que hoje está no PSC, teve que sair do PMDB por não encontrar espaço para uma segunda tentativa de ser prefeito. Brigou com o senador Jarbas Vasconcelos, que apóia hoje o candidato Raul Henry. No início da campanha tinha 22% das intenções de voto, na última pesquisa Ibope/TV Globo patinava nos 8%, brigando pela terceira colocação justamente com Raul Henry. Se as eleições fossem hoje não iria para um possível segundo turno.

Cadoca critica a administração atual e diz que a prefeitura errou mais do que acertou. Reconhece que houve aumento nos números do Programa Saúde da Família mas revela que as políclínicas estão abandonadas. Diz que o conceito metropolitano de transporte público é correto mas critica a gestão municipal e, principalmente, as obras que foram feitas recentemente. "Aquela obra da Conda da Boa Vista está toda errada. Recife precisa de corredores viários mas esqueceram que os carros particulares e os táxis também precisam circular. O prefeito errou na hora da execução. O projeto é bom mas está mal feito", pontua. Aproveitou pra falar sobre seu projeto do "Vale 2 horas", que consiste na possibilidade do usuário de ônibus circular pela cidade por esse tempo, pagando apenas uma passagem em qualquer linha municipal.

Sobre a decisão da Justiça de cassar a candidatura de João da Costa, o candidato se mostrou satisfeito e acha que foi uma sinalização de que "é preciso que se respeite o jogo democrático, sem favorecimento e uso da máquina como o Ministério Público entendeu que houve. Como é uma decisão de primeira instância, vamos aguardar."

Durante o intervalo para o segundo bloco da entrevista, fora do ar, o candidato confessou que os votos que perdeu (e as pesquisas registraram) foram para o candidato do PT. "Eu tinha muitos votos na periferia. Quando veio o rolo compressor eu caí nove pontos em uma semana. Foi aí que João da Costa subiu. Meus votos migraram pra ele.", lamentou.

Com ar cansado de quem está no fim de uma eleição duríssima, Cadoca sabe que essa é sua última chance de tentar ser prefeito da cidade onde construiu toda sua vida pública. Tem pouco menos de duas semanas pra tentar o milagre da ressureição. Em política, é tempo demais, resta saber se o suficiente para descolar de Raul, atropelar Mendonça e ir pro confronto final com João da Costa. A conferir,    

Raul Henry quer copiar idéias que deram certo.

Raul Henry(PMDB) pesquisou soluções para o Recife.

A semana começou com a presença do candidato pemedebista Raul Henry nos estúdios da Maranata FM. Ele é o segundo candidato à prefeitura do Recife a conversar comigo sobre seus planos para a cidade. O candidato, ao ser perguntado sobre porque deseja governar o município, elencou alguns temas que escolheu como fundamentais na sua campanha: saúde, qualificação profissional pra juventude, combate a violência e incremento do turismo.

O mote principal no guia eleitoral de Raul tem sido o Compaz. A sigla significa a visão do candidato para resolver problemas crônicos que, segundo ele, não são difíceis de atacar. "Não é uma idéia minha e nem é nova. Antes de me candidatar eu viajei. Fui pesquisar soluções que estavam dando certo pelo mundo afora, o Compaz surgiu daí." Foi na Colômbia que o candidato se encantou com um projeto capaz de integrar saúde, qualificação para o mercado de trabalho, educação, lazer, esportes e cidadania. Tudo num só espaço. Promete construir sete desses centros nos bairros mais violentos da cidade. O custo da montagem de cada um, o candidato estima em sete a dez milhões de reais. Dinheiro que ele diz a prefeitura ter disponível. "Só o que está se gastando no Parque Dona Lindú e no calçadão de Boa Viagem já dava pra levantar pelo menos uns quatro. Não se resolve a violência só com polícia. A gente tem de oferecer oportunidade pro jovem não entrar na criminalidade. E se já entrou, motivos pra sair. Funcionou na Colômbia porque não funcionaria no Recife?", questiona.

Na área da saúde, Raul promete aumentar a quantidade e a eficiência de hospitais e policlínicas. "O inchaço nas grandes emergências como Restauração e Agamenom acontece porque a prefeitura não faz a parte dela. Os atendimentos de menor complexidade tem de ser feitos no município. Vamos atacar esse problema", prometeu.

O candidato do PMDB também reclamou do uso da máquina municipal pelo candidato do PT, João da Costa. "Não sou eu que digo, está hoje em todos os jornais o escândalo do uso indiscriminado da máquina na campanha do candidato do governo. Uma investigação feita pelo Ministério Público está revelando que o uso da prefeitura na campanha tem sido ostensivo. É injusto com os demais candidatos, desequilibra a disputa."

Sobre o fato de não estar bem situado nas pesquisas, Raul disse que respeita os institutos que medem o pulso do eleitor mas que tem sentido outra coisa nas ruas. "A pesquisa tem seu lado técnico que eu não discordo mas não é tudo. A gente tá cansado de ver resultados finais de eleições em que a pesquisa não conseguiu detectar as mudanças e publicou números que não se confirmaram. O verdadeiro juiz é o povo. Essa é a pesquisa que interessa", ratificou o candidato. Ele diz ter certeza de duas coisas: uma é que vai haver segundo turno no Recife e a outra é que ele será um dos candidatos a passar pra essa fase que decide o novo prefeito que governa a partir do ano que vem.

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