
Ontem fui assistir "Linha de Passe", novo filme brasileiro do premiado Walter Sales. Pra quem não se lembra, o cineasta foi o primeiro a colocar um filme nacional na disputa por um Oscar. Todos torcemos por "Central do Brasil". Lamentamos não levar mas, o concorrente, ("A vida é bela") reconheço, mereceu ganhar. Mesmo sem a estatueta, Walter Salles entrou com o pé direito na relação de grandes diretores.
"Linha de Passe" é um filme de personagens. Não tem propriamente uma história. São várias delas que se entrelaçam e contam, num período de seis meses, o que vai acontecendo com cada um ao longo da vida. Uma família batalhadora composta por uma mãe que trabalha de doméstica num apartamento classe média e dá duro pra criar, sozinha, os quatro filhos enquanto carrega outro na barriga. Pelo papel, a atriz Sandra Corveloni - até então desconhecida do grande público - ganhou o prêmio de melhor atriz do Festival de Cannes 2008.
Cada filho vive sua realidade particular. Um ( Vinícius de Oliveira, o garotinho de Central do Brasil, agora jovem) sonha em ser jogador de futebol e vive arriscando nas peneiras pra ver se chega num clube grande. Outro, Dênis, (João Balsissieri) é um motoboy que tem um filho com a namorada e, quando paga a prestação da moto, atrasa a pensão do guri. Vive duro. O caçula Reginaldo (Kaíque Jesus Santos), passa o dia andando de ônibus com dois objetivos: encontrar o pai que não chegou a conhecer e aprender a dirigir. Quer ser motorista. Garoto com ótima presença cênica, divertido e infeliz ao mesmo tempo. Um grande achado de Walter Salles que, a exemplo de "Central do Brasil", se mostra um craque na direção de crianças. Spielberg também é assim.
Mas é do último personagem que eu quero falar: Dinho (José Geraldo Rodrigues), um frentista que sai de uma adolescência complicada frequentando uma igreja evangélica. A batalha pra se manter puro num meio em que cada um quer se dar bem é árdua.
O que chama a atenção no filme é o cuidado com que o tema é abordado. Evangélicos no cinema sempre são retratados de forma caricatural. Ou com deboche ou com cinismo. Ou os dois. E a liturgia soa sempre falsa. Como um turista que ao conhecer uma cidade em dois dias quer sair de lá um guia. O diretor, pra evitar esse erro, fez o certo. Cercou-se de uma "consultoria evangélica", formada por pastores, que ensinaram aos atores desde o gestual até o linguajar "crentês". O resultado é que, pela primeira vez, ví um culto ser representado do jeito que é. Sem exageros e sem artificialismos. E com uma cena deliciosa pra nós pernambucanos: momento em que a igreja entoa com profunda emoção a canção evangélica mais conhecida do Brasil "Quero que valorize o que você tem, você é um ser você é alguém, tão importante para Deus..." No final do filme, está lá nos créditos: "Mover do Espírito - Armando Filho. Ed. Bom Pastor." O Armando é um dos pastores da minha igreja. E está na trilha de um filme premiado em Cannes. Legal, né?
Mas não recomendo a fita pra qualquer tipo de crente. Explico: ao mostrar a realidade da vida na periferia de São Paulo, o filme abusa de palavrões e cenas de sensualidade. Os menos acostumados com cinema podem se escandalizar. Se você tem maturidade, vá. Não é todo dia que o cinema brasileiro reconhece que a comunidade evangélica, por estar tão presente na sociedade, já pode ter um personagem retratado sem o preconceito que nos acostumamos a ver.
Em se tratando de cinema nacional, é um grande avanço.

Fotos: Chico Bezerra. Reportagem: Gabriela Souza Leão, Franco Benites e Jeziel Carvalho
O candidato a prefeito Mendonça Filho participou, na manhã desta quarta-feira (17), da série de entrevistas com prefeituráveis da Rádio Maranata. Durante o programa, que conta com a apresentação do jornalista Jeziel Carvalho, Mendonça apresentou suas propostas para transformar o Recife em uma cidade melhor, onde a população tenha acesso aos serviços básicos.
Mendonça começou a entrevista falando de sua principal preocupação: a melhoria do ensino público municipal. Os planos de Mendonça para transformar a educação incluem ações como, a valorização dos professores, a oferta de creches, para que as mães possam deixar seus filhos em segurança enquanto trabalham, e a Escola em Tempo Integral. “A educação do Recife foi considerada a pior do Brasil, pelo Ministério da Educação. Assumo o compromisso de em quatro anos colocar a cidade entre as 10 melhores, em termos de ensino”, afirmou.
A saúde, área de muitas reclamações principalmente por parte da população mais carente, também está entre as preocupações do candidato. “A saúde do Recife vai mal. As pessoas não conseguem atendimento médico e quando precisam fazer exames passam meses esperando o resultado”, disse Mendonça. Para mudar o quadro da saúde os planos do candidato vão desde o investimento na reforma e na construção de policlínicas, à oferta de consultas com especialistas.
O plano de governo de Mendonça também apresenta projetos para mudar a vida dos jovens que hoje estão abandonados, sem educação e sem emprego. O candidato propõe oferecer a juventude novas perspectivas, através de políticas públicas que invistam em conhecimento, cultura, lazer e esportes. “Os jovens precisam de proteção. Vamos valorizar e resgatar os adolescentes, para que longe das drogas não entrem para o mundo do crime”, comentou.
No segundo bloco da entrevista, o candidato a prefeito Mendonça Filho respondeu a perguntas de ouvintes dos mais diversos bairros do Recife. No fim, foi questionado pelo apresentador Jeziel Carvalho sobre por que quer ser prefeito do Recife. “Tenho 22 anos de vida pública, vida limpa e de muito trabalho. Acumulei experiência de levar adiante projetos que mudaram a face do Estado e que vão mudar o Recife. Sou recifense, amo essa cidade e quero trabalhar por ela”, afirmou.
O candidato do Democratas disse também ter certeza do segundo turno. "O candidato oficial já começou a estagnar nas pesquisas e agora a tendência é cair. Nós vamos pro segundo turno e ganhar essa eleição com muita fé em Deus. Pode acreditar."

Ele é o fenômeno da música gospel atual. Em pouquíssimo tempo, arrebatou o Brasil com suas músicas que mesclam letras inspiradas com um ritmo que é quase impossível ficar parado. Ex-integrante da Banda Olodum, da Bahia, e com um belo testemunho é também campeão em execuções em todas as carrocinhas de cd pirata - o melhor termômetro de popularidade de qualquer artista: claro, eu estou falando de Lázaro. É difícil encontrar no meio evangélico - e fora dele também - quem não o conheça. Mas o que aconteceu domingo à noite, no Clube das Águias, em Boa Viagem, foi lamentável. Esperado para um evento pago, ele simplesmente não apareceu!
E eu com isso? Bom, eu era contratado para apresentar o evento.
Não era o primeiro evento dele que eu apresentava. Em duas oportunidades, mês passado, cumpri com esse papel. Em todas as duas foi um stresse só. O motivo: atraso intolerável por parte do artista(?). No Cabo, evento realizado no Clube Asa Branca, o evento estava marcado pra começar às 20 horas. Tá bom, nunca se começa na hora e ainda tinham algumas bandas pra tocarem antes. Entrando no palco às 9 da noite estava de bom tamanho. Advinha que horas ele foi chegar no local? Meia noite! Até lá, eu só faltei plantar bananeira no palco pra tentar distrair o povão impaciente. E as bandas locais tocaram todo o repertório e mais um pouco. Quando começou o evento, meia hora depois, Lázaro ainda se achou no direito de criticar quem tinha se irritado com a demora. Como no palco ele arrebenta mesmo, a galera cantou, dançou e gostou. E o motivo de tanto atraso? Estava em outro evento, em outro município, a 100 quilômetros de distância.
No dia seguinte esperava-se que, com a agonia da noite anterior, o cantor respeitasse o público do Jaboatonense que fora vê-lo. A mesma coisa: o evento que estava previsto pras 8 da noite começou perto de uma da madrugada porque Lázaro e Banda estavam cantando em outra cidade. De novo o público reclamou mas, com a chegada dele, tudo foi contornado. Atrasou de novo mas pelo menos apareceu.
Ontem foi o cúmulo. Depois de cantar num evento á tarde, em Ipojuca (que eu apresentei. Aliás, o único onde o atraso foi "só de uma hora".) estava previsto outro show á noite. O do Clube das Águias. Pois o cantor não achou de, entre o evento de Ipojuca e o de Boa Viagem, encaixar mais um, em Limoeiro, distante 130 kms da capital? Inacreditável mas foi o que aconteceu.
Cheguei no Clube ás 7 da noite e já havia um bom público. Chamei as bandas que estavam escaladas pra abrir, o DJ Blay, que também tinha sido convidado pela produção do evento e o tempo foi passando. Dez da noite e nem sinal de Lázaro. Falei com o produtor Ivonaldo que não podia ficar até muito tarde porque no dia seguinte, 5 da matina, tinha que estar na rádio pra editar o Jornal da Manhã. A última informação que ele me passou é que a banda estava vindo de Limoeiro e ia atrasar mesmo. Com sorte, chegaria lá pra meia noite. Não dava pra mim. Subi ao palco, expliquei a situação e tomei uma sonora vaia. Eu estava alí apenas pra apresentar, contratado pela Vitrine Produções, sem ter nada a ver com aquela situação ridícula mas o público estava indócil. E não se pode dizer que eles estavam errados. Pagaram ingresso e deveriam ter sido respeitados. Não foram.
Dei por encerrado minha participação e vim pra casa. Triste com tudo o que tinha acontecido. Com pena das pessoas que estavam alí desde cedo e abismado com o fato de que, a ambição, muitas vezes, macula uma imagem querida por tanta gente. Lázaro continua sendo um grande cantor mas essa pressa em fazer 2, 3 shows por dia, essa ansiedade em esticar o tempo pra aproveitar o máximo o momento, queimou o filme dele em Recife.
Não aceito mais convite nenhum pra apresentar qualquer evento em que ele seja a atração principal. Tenho 18 anos de atuação na mídia gospel pernambucana e uma imagem de respeito ao público que não quero perder por alguém que chegou agora. Quem me conhece, sabe que os eventos que faço pela minha produtora - Carpa Produções - primam pela valorização de quem paga o ingresso. Meus ouvintes valem muito. Foi eles que me trouxeram até aqui.
À eles, minhas desculpas, por terem ido ao show confiando no meu testemunho. Eu também confiei que seria uma benção! Só no dia seguinte fiquei sabendo que, dessa vez, não ocorreu atraso. O cantor sequer apareceu. Não sei o que aconteceu entre Limoeiro e Recife. Não me disseram quais os motivos do no-show. Mas o que eu tenho visto até aqui é o suficiente. Apresentar show do cantor Lázaro, tô fora. Assistir o dvd dá menos trabalho.
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